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PARA VOCÊ CIDADÃO, QUE ESTÁ INDO AO MÉDICO!

Passei exatamente um mês para assimilar artigo escrito no dia 25/04/14, por um médico e professor universitário. O título aparenta algo sério e construtivo, até pelos hifens que ligaram as expressões: Relação médico-paciente-advogado. Tão decepcionado fiquei com o texto e com a análise facista feita por um professor universitário E MÉDICO, que sequer vou reproduzir, aqui, a matéria! Mas pergunto: O que impede a um médico conhecer a Constituição Federal e o Código de Defesa do Consumidor? E o que lhe permite idealizar uma profissão arbitrária e acima da lei? Em suma, diz o articulista (?) (i) que a relação médico-paciente sempre teve terceiros interessados; (ii) que na época pré-hipocrática eram os demônios, estes terceiros interessados e, (iii) que, posteriormente, com o final da idade média e com as grandes descoberta da medicina, o médico passou a ser também conselheiro, " tal sua ascendência sobre as famílias que assistia.". A seguir, avança em seu fatídico sofisma, para espanto de quem lê, acusando o advogado e as seguradoras, de fomentar uma verdadeira indústria de reclamatórias quanto à atuação médica, e"que acreditam ter descoberto um filão de ouro". Com esta tese exdrúxula passa a justificar o que denomina "distorção na relação-médico paciente, passando o profissional a atuar para evitar um possível processo contra ele", concluindo com um exemplo tão bizarro quanto inarrável. E, não bastasse, ousa concluir, em cerimonioso desfecho que "Analisando detidamente os triângulos, prefiro então os demônios.". Segue o artigo do médico e professor universitário, na íntegra, publicado na página 15, de ZERO HORA, de 25/04/14: "Relação médico-paciente-advogado Fernando de Oliveira Souza* A relação médico-paciente sempre teve terceiros interessados. Nos primórdios da humanidade, na dita fase pré-hipocrática, eram os demônios, aos quais se atribuía a origem das doenças e isso fazia com que o médico assumisse o papel de sacerdote ou vice-versa. Posteriormente, com o final da idade média e o início do Renascimento na Europa, o surgimento das universidades, como de Borgonha, na Itália e Salamanca, na Espanha, deu grande impulso às grandes descobertas na medicina, o que tornou o médico um personagem fundamental nas sociedades de então. Sua atuação frequentemente extrapolava sua função específica e passava a ser um conselheiro, tal sua ascendência sobre as famílias que assistia. Apesar disso, a posição de terceiro interessado voltou a ser ocupada nos dias de hoje, desta vez por advogados, a quem os pacientes recorrem quando acreditam terem sido prejudicados pela atuação do médico por falta de atenção que possa ter resultado em imperícia, imprudência ou negligência. Embora, em alguns desses casos, os médicos possam ter dado motivos as queixas, não há dúvida de que está em formação uma verdadeira indústria de reclamatórias quanto à atuação médica, que corre em paralelo à febre do dano moral fomentada pelos próprios advogados e pelas seguradoras que acreditam ter descoberto um filão de ouro. Isto está provocando uma distorção na relação-médico paciente, passando o profissional a atuar para evitar um possível processo contra ele. Desta forma, solicita uma infinidade de exames e procedimentos que na sua grande maioria vão resultar normais somente para "se proteger". Essa atitude vai refletir sobre as operadoras de saúde e sobre o próprio paciente, que terão que arcar com os custos desta "nova medicina". Exemplifico: ao atender uma professora atingida na cabeça por uma garrafa PET de água numa brincadeira entre alunos e que apresentava todas as evidências de um abalo emocional pelo ocorrido, solicitei uma tomografia computadorizada do crânio, mesmo na ausência de sinais neurológicos pela probabilidade praticamente inexistente de lesão cerebral. Analisando detidamente os triângulos, prefiro então os demônios. *Médico e professor universitário.



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2014-05-27 10:09:20